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Moderador Msts


Registrado em: 04 Mai 2008 Mensagens: 2652 Local/Origem: cabanas de viriato |
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Um ano depois... |
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Um ano depois, republicamos o artigo de opinião que então denunciava a inviabilidade do aeroporto em Beja.
Rui Rodrigues
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(Consultor de Transportes)
No passado dia 28 de Julho de 2008, foi publicada uma notícia no Jornal Público, no suplemento Local, sobre a viabilidade do aeroporto de Beja. No referido texto ficou a saber-se que, a escassos quatro meses da abertura da nova infra-estrutura, não há qualquer certeza sobre a competitividade económica do projecto, que teve um custo de 33 milhões de Euros. Esta informação foi obtida após um conjunto de perguntas que o Deputado Luís Rodrigues dirigiu, por escrito, ao Ministro das Obras Públicas, Mário Lino. Mais grave ainda é que, nas vésperas da abertura deste novo aeroporto, não existe nenhum contrato assinado com qualquer companhia aérea de ‘Low Cost’.
Convém recordar que, num documento do Ministério das Obras Públicas de 2006, “Orientações Estratégicas para o Sistema Aeroportuário Nacional”, na página 66, em Solo los usuarios registrados pueden ver links en este foro! Registrate o Logeate en el foro! | está escrito: “A justificação a curto prazo do investimento no aeroporto de Beja será a da alternativa estratégica do tráfego de passageiros Low Cost visto que dificilmente existirá outra alternativa a curto prazo que por si seja capaz de suportar o período inicial de funcionamento da infra-estrutura.”
Também é referido, no mesmo documento, que Beja será utilizado para o transporte de carga ou para exportação de produtos frescos como peixe (especialmente carapau). Estas afirmações foram publicadas num estudo do Ex-Ministro Augusto Mateus que é a mesma personalidade que também tentou justificar o investimento do novo aeroporto em Alcochete.
ESTRATÉGIA DOS AEROPORTOS DE LOW COST
Em Espanha, os aeroportos secundários localizados perto da nova rede ferroviária de bitola europeia e da rede convencional estão a atrair as companhias aéreas de baixo custo para iniciar actividade. A Ryannair, empresa de ‘Low Cost’ que mais passageiros transporta na Europa, criou duas novas bases de onde irradiam os voos, em Alicante e Valência, com 17 e 22 destinos, respectivamente. No passado, aquela empresa já tinha optado pela base de Girona, com 50 destinos e, mais recentemente, Tarragona, Ciudad Real e, no futuro, Badajoz. Todos estes aeroportos secundários vão poder conectar-se, directamente, a um elevado número de cidades. Esta estratégia tem por base a aposta em duas condições essenciais:
1) - Aeroportos secundários com baixas taxas aeroportuárias, tráfego reduzido e, consequentemente, menores tempos de espera no ‘check-in’.
2) - Pontualidade e regularidade da nova rede ferroviária de Alta Velocidade (AV) complementada com a rede convencional para conectar os pontos intermédios.
ANALOGIAS ENTRE BEJA E ALCOCHETE
Existem várias semelhanças entre estes dois projectos, sendo a principal um grande desajustamento entre a procura e a oferta, isto é, propõe-se um investimento de milhares de milhões, pensando exclusivamente na oferta, sem se ter tido a preocupação se existe procura que justifique a nova infra-estrutura. É por este motivo que se chegou à situação que se verifica em Beja, isto é, a poucos meses da abertura da nova infra-estrutura não há nenhum contrato assinado com companhias aéreas.
Alcochete não coexiste com a rede ferroviária convencional e jamais poderá competir com Barajas, e nem poderá competir com o aeroporto de Badajoz onde vão ser gastos só 12 milhões de Euros, o que implicará taxas aeroportuárias reduzidas.
Em Beja não existe Alta Velocidade nem auto-estrada, pois dista 53 quilómetros (Km) da A2 que liga Lisboa ao Algarve e, além disso, a linha férrea convencional não está electrificada, o que obriga à utilização de antigos comboios a diesel, que levam mais de 2 horas e 15 minutos no percurso Beja-Lisboa, com elevados custos para a CP, pois consomem mais de 600 litros de gasóleo na ida e volta.
O que está a ocorrer com o aeroporto de Beja também poderá suceder com a nova infra-estrutura em Alcochete, onde se pretende investir milhares de milhões de Euros sem sequer existir uma política aérea adequada à região de Lisboa e ao nosso país.
fonte:PUBLICO
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